Já se vão mais de dois anos desde que Lee Alexander McQueen saiu de cena e não é exagero dizer que a moda ficou órfã de um de seus maiores criadores, talvez o melhor das últimas décadas. O filho de um taxista londrino, que nasceu pobre, aprendeu a costurar ainda criança, se aperfeiçoou com os alfaiates da Savile Row e foi fazer o prestigiado mestrado da Saint Martins, onde caiu nas graças da stylist Isabella Blow e de outros nomes de peso da indústria, foi o símbolo de uma espécie em extinção: o artista que faz moda.

mcqueen98 A Arte de Alexander McQueen Kate Moss desfilando para o amigo em 98

Como não se emocionar com suas coleções? Como não admirar sua coragem de se rebelar contra o lugar-comum e a previsibilidade comercial que virou padrão nas passarelas? Seu período conturbado na Givenchy e os conflitos com os executivos da LVMH foram uma prova de que ele só se encaixaria na dinâmica lucrativa de um conglomerado se pudesse manter total independência criativa. O grupo PPR entendeu o recado e comprou a ideia. Hoje não há dúvidas que foi um dos melhores investimentos que fizeram.

mcqueen F99 A Arte de Alexander McQueenOutono 99

Alexander McQueen é claramente o arquétipo do Criador. Seu maior desejo era expressar arte através de suas roupas, e de quebra nos fazer refletir sobre a cultura e a sociedade contemporâneas. Cada desfile era fruto de um intenso processo criativo e de uma complexa história, que podia unir os mais diversos elementos: feiticeiras, criaturas mágicas, rainhas egípcias, seres primitivos, jogos de xadrez, caveiras, lobos… Quanto mais ele inovava, mais o público se impressionava e se emocionava. McQueen conseguiu passar por todos os níveis do Criador: seus devaneios e fantasias o motivaram a criar peças surpreendentes, dando formas às suas visões particulares e influenciando nosso desejo de consumo. Pena ter caído em sua própria armadilha perfeccionista.

alexander mcqueen13 333x500 A Arte de Alexander McQueenO outono 2012 by Sarah Burton

“As pessoas não querem ver roupas, elas querem algo que alimente a imaginação”, disse ele após a apresentação do outono/inverno 2009. A frase sintetiza tudo que sua marca representa e parece ser seguida à risca por Sarah Burton. Desde que sucedeu o mestre, ela mantém o DNA da grife inabalável, aliando criatividade, técnica e muita emoção. Três adjetivos que viraram artigo de luxo na moda atual.

Quer saber mais sobre marcas arquétipicas? Leia sobre Chanel e Ralph Lauren.

 


 

4 Comments

 

  1. Pingback : Modalogia » conteúdo, branding, marketing digital » Quem não Ama Christian Louboutin?

  2. Pingback : Modalogia » branding, conteúdo, marketing digital » A Jornada da Louis Vuitton

  3. Pingback : Modalogia » branding, conteúdo, marketing digital » Diesel: Jeans e Diversão

  4. Pingback : Modalogia » branding, conteúdo, marketing digital » 120 Anos “In Vogue”

Leave a reply

Connect with:

 

Your email address will not be published.