A Moda na Época de Sua Reprodutibilidade Técnica – por Mirela Lacerda

julho 26, 2010 by Mirela Lacerda  
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Na faculdade de Comunicação, um dos primeiros filósofos que estudamos é Walter Benjamin. O alemão, famoso por integrar a Escola de Frankfurt, ficou conhecido por vários ensaios, entre eles “A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica”. O ponto central desta teoria refere-se à destruição da “aura” que envolve as obras de arte a partir do momento em que elas são reproduzidas para uma sociedade de consumo de massa. Quando escreveu, ele refletiu sobre o impacto do cinema na perda desta aura, mas obviamente nem imaginava o que estava por vir com a TV e a internet.

Outro dia, revendo o documentário do “Valentino – O último imperador”, lembrei de Walter Benjamin e de sua teoria. O título do filme não poderia ser melhor. Valentino é mesmo “o último dos grandes”. Ele representava uma era da moda em que a relação estilista-roupa era completamente diferente. Como Yves Saint Laurent, Christian Dior, Balenciaga e tantos outros ícones, ele criava com o objetivo de deixar a mulher mais bonita. Da pesquisa ao produto final – tanto na alta-costura como no prêt-à-porter -, seu processo era puro, sofisticado e detalhista, e funcionava em um ritmo que não cabe mais nesta era de conglomerados e fast fashion.

A última coleção de prêt-à-porter do estilista, para a primavera 2008

Além disso, Valentino era o epítome de tudo que vendia: tinha uma vida absolutamente glamurosa, casas espalhadas pelo mundo, era cercado de pessoas lindas, ricas e cultas. Depois de se aposentar, no inicio de 2008, a grife passou por momentos confusos. Primeiro, Alessandra Facchinetti foi nomeada como sua substituta e ficou no posto por apenas duas temporadas. Seus ex-assistentes, Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri (decorar esses nomes já é um problema), foram então promovidos ao cargo. Só que por mais que eles tenham convivido e aprendido com o estilista, eles nunca serão como ele! E aí entra a questão da perda da “aura”. A aura de Valentino estava em tudo que ele criava e representava. Não há como substituí-la sem parecer forçado ou até mesmo “fake”.  A identidade da grife se foi junto com seu fundador, o que resta é uma logo que pode ser reconstruída, com outra imagem, e geralmente isso leva tempo…

A última coleção de Alessandra para Valentino, para a primavera 2009

Walter Benjamin não era pessimista em relação à perda da aura. Ele via um novo caminho se abrindo e um novo relacionamento da arte com as massas. Concordo com ele e afirmo que nem toda mudança é negativa. Tom Ford, por exemplo, imprimiu uma nova aura à Gucci – tão poderosa, aliás, que sua saída significou grandes perdas na identidade da marca até Frida Giannini construir uma nova.

A primeira coleção de Pier Paolo e Maria Grazia, para o outono 2009

Marc Jacobs transformou a aura da Louis Vuitton, Alber Elbaz a da Lanvin, e até mesmo Stefano Pilati, que substituiu Tom Ford e começou a criar para a Yves Saint Laurent enquanto o próprio estava vivo, conseguiu fazer um bom trabalho. Agora, quem consegue visualizar a Chanel sem a aura de Karl Lagerfeld? Como ele mesmo diz a Valentino em uma cena do documentário, comparado aos dois, o resto dos designers não faz mais do que trapos…

A coleção mais recente da dupla, de alta-costura para o outono 2010: a mudança no público-alvo é visível

A questão nesta era de conglomerados de moda e inevitáveis substituições de estilistas é bem complexa. Não é apenas talento nem estratégias de marketing que vão levar as grifes a venderem mais ou menos. É a aura de seu criador que por vezes é tão forte que se torna insubstituível. E neste caso, a relação entre a obra (roupa) e as massas (clientes) corre o risco de ficar eternamente comprometida.

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Poko Pano Desfila Coleção em Miami

julho 22, 2010 by Leticia Keiper  
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A marca brasileira Poko Pano, da estilista Paola Robba, participou mais uma vez da Mercedes-Benz Fashion Week, evento mais importante no segmento swimwear. O desfile apresentou a coleção verão 2011, inspirada na Amazônia, com todo o charme e gostinho brasileiro.

Além dos seletos convidados, celebridades e imprensa internacional, o desfile, que aconteceu no último sábado, contou com uma turma especial de brasileiros na primeira fila. http://www.mbfashionweek.com/miami/

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Berlin Fashion Week e a Expansão da Moda Alemã – por Mirela Lacerda

julho 21, 2010 by Mirela Lacerda  
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Quando se fala em moda alemã, a gente logo pensa no kaiser Karl Lagerfeld, em Claudia Schiffer e Heidi Klum. Porém no quesito grifes de moda, é difícil ir além de Jil Sander, Hugo Boss e Escada. A verdade é que um dos países mais poderosos do mundo não tem tradição em exportar moda e manteve-se por muito tempo abastecendo apenas o mercado interno e alguns outros europeus.

Por outro lado, o potencial criativo e de produção do “made in Germany” é grande e a Berlin Fashion Week tem sido a melhor vitrine disso, sem contar a tradicional feira Bread & Butter, especializada em jeans e streetwear, uma referência mundial.

Entre os dias 07 e 11 de julho, a semana de moda berlinense agitou a capital, abrindo a temporada de lançamentos para a primavera/verão 2011 feminina. Entre os desfiles de marcas consagradas como Boss Black (uma das linhas da Hugo Boss), Laurèl e Rena Lange, somados aos talentos em ascensão como Dawid Tomaszewski, Perret Schaad, finalista do concurso “How to Start your own Fashion Business”, e Starstyling, a cara do streetwear alemão, o evento mostra o poder de atração mundial. Como a organização é feita pela mesma equipe da New York Fashion Week, com patrocínio da Mercedes-Benz (o nome oficial é Mercedes-Benz Berlin Fashion Week), não é difícil montar um desfile especial da Calvin Klein e atrair celebridades como Jessica Alba e Ewan McGregor, na primeira fila da Boss Black.

Em termos de tendências, a semana alemã reforçou o desejo por feminilidade e leveza que já vem aparecendo nas últimas temporadas. Looks fluidos, de tecidos transparentes, tons pastel e nudes foram onipresentes em praticamente todas as coleções. Não há nada super conceitual pois o objetivo maior é mostrar o caráter comercial e expandir a presença das marcas para além das fronteiras do país.

Quem quiser pesquisar moda na Europa fora do eixo Londres-Paris, encontra em Berlim uma ótima opção. A Bread & Butter acontece simultaneamente à BFW e algumas lojas e marcas merecem a sua visita. Anote: Wunderkind, Mechail MichalskyTalkingMeansTrouble, cneeon e Kaviar Gouche.

Agradecimentos ao Centro de Turismo Alemão, que colaborou com algumas informações para esta matéria: www.visitealemanha.com

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Mercedes-Benz Fashion Week Swim Agita Miami

julho 20, 2010 by Leticia Keiper  
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A Mercedes-Benz Fashion Week Swim teve mais uma edição, entre os dias 15 e 19 de julho, no Hotel Raleigh em Miami. Quem desfilou pela quarta vez no evento foi a Cia.Marítima, ao lado de grifes como Aqua Di Lara, Ed. Hardy, Lisa Blue, Poko Pano e True Religion Swimwear. A grife brasileira se inspirou no Marrocos, com sua cultura mística e uma explosão de nuances, cheiros e sabores. A top Laís Silva foi um dos destaques do casting, que não foi o mesmo do SPFW.

A modelagem traz novidades como o new top cortininha, com bojo interno, o clássico tomara-que-caia ganhou um bojo mais rígido, que não deforma o seio quando amarrado nas costas e a tanga Floripa é bem pequenininha na parte de trás, ideal para a mulher que exibe a boa forma brasileira. As peças para o pós-praia são despojadas, mas extremamente ricas em detalhes como, harem pants, caftans com bordados marroquinos e tops confeccionados com pedrarias típicas.

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London Fashion Week Divulga o Calendário da Primavera/Verão 2011

julho 15, 2010 by Mirela Lacerda  
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Ainda faltam quase dois meses, mas a London Fashion Week já divulgou a agenda para a primavera/verão 2011. A semana londrina acontece entre 17 e 22 de setembro, conta com os tradicionais nomes (Paul Smith, Nicole Fahri, Jasper Conran) misturados aos emergentes (Christopher Kate, Peter Pilotto, Mary Katrantzou, Marios Schwab) e desfiles disputados pelas celebridades (Burberry, Issa, Twenty8Twelve). Uma das grandes novidades é a volta de Giles Deacon, que depois de anos em Paris volta para Londres com a sua Giles. Na cidade-luz, acontece sua aguardada estréia como diretor criativo da Ungaro. Para conferir o line-up completo, clique aqui.

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Novas Direções para a Alta-Costura – por Mirela Lacerda

julho 15, 2010 by Mirela Lacerda  
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Na semana passada, a temporada de alta-costura de Paris teve um clima diferente. Além do otimismo pela volta do crescimento do setor, com a volta de antigas clientes dos EUA e da Rússia que foram obrigadas a suspender encomendas no ano passado e a chegada de novas, vindas dos mercados emergentes (China) está promovendo uma reavaliação sobre o que a alta-costura representa.

Alexandre Vauthier

Alexis Mabille

Bouchra Jarrar

Chanel

O pensamento lugar-comum nos leva a imaginar vestidos belíssimos e ultra-glamurosos, com tecidos nobres, bordados delicados feitos à mão e mulheres usando as produções em eventos chiquérrimos e milionários. Mas se analisarmos as coleções para o outono 2010, é impossível não notar os looks menos “sonho” e mais vida real. Traduzindo: os estilistas começam a perceber que as mulheres buscam roupas exclusivas e duráveis sim, porém não necessariamente feitas apenas para festas, mas para eventos diurnos.

Dior

Elie Saab

Giorgio Armani Privé

Givenchy

As apresentações mais intimistas  (com exceção da Chanel que manteve o espetáculo no Grand Palais, Dior reduziu o tamanho do desfile feito no Museu Rodin e a Givenchy optou por mostrar os modelos em showroom) são outro sinal desta aproximação entre estilistas e clientes. O serviço anda tão personalizado que as provas de roupa podem ser feitas onde a cliente está – em seu hotel em Paris ou num iate no meio do Mediterrâneo. O sucesso também pode ser medido pelos novos nomes que estão surgindo direto na couture, como a ex-Balenciaga e Lacroix Bouchra Jarrar, um perfeito exemplo da direção menos afetada do segmento.

Gustavo Lins

Jean Paul Gaultier

Maison Martin Margiela

Maison Rabih Kayrouz

Tanta exclusividade atesta uma tendência: a revalorização da roupa sob medida dentro de um contexto de desaceleração de consumo. O excesso de ofertas da moda mostra sinais de cansaço e quem quer qualidade, atendimento personalizado e a garantia de usar uma peça única encontra na alta-costura tudo o que precisa. Como bem resumiu o kaiser Karl Lagerfeld: “a couture moderna deve ter uma sensação de mobilidade e o ápice do refinamento.”

Stephane Rolland

Valentino

Zuhair Murad

Além disso, para os estilistas, a alta-costura será sempre um grande laboratório criativo para idéias que podem ser depuradas no prêt-à-porter. Sendo assim, fiquem de olho nas cores vibrantes e nos tons neutros claros, substituindo o preto, nas linhas aerodinâmicas e limpas, no uso das rendas, tecidos leves e transparentes, e no comprimento alongado, abaixo do joelho até a altura do tornozelo.

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Novas Ladies

julho 13, 2010 by Leticia Keiper  
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O clima Lady é outra tendência do verão 2011. Como visto nas passarelas da Louis Vuitton, a estética Lady se inspira nos anos 50, no New Look de Dior, com cintura bem marcada e saias rodadas. Cores pastel e muito rosa dão um tom romântico à próxima estação. Assim como as estrelas dos anos 50, verdadeiras princesas, a intenção é ser delicadamente feminina.

Seguindo esta tendência, uma dica é a coleção Fantasy Lady da Via Uno. Repleta de babados, laços, flores, drapeados e transparências, a linha apresenta cintos, sapatilhas, peep toes, sandálias e scarpins com plataformas altíssimas.

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Alta-Costura Outono 2010: Gaultier e Valentino

julho 7, 2010 by Mirela Lacerda  
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Jean Paul Gaultier: o estilo da parisiense está de novo nas passarelas, desta vez com pitadas de anos 80 e 40, via o próprio trabalho do estilista, quando era o “enfant terrible”. Numa coleção basicamente em preto (com toques de vermelho, azul royal, verde, dourado e pink), as formas marcavam a cintura e destacavam os ombros, num maravilhoso trabalho em couro. Transparências e brilhos apareceram em vestidos de manga morcego e longos. Dita Von Teese fez um strip parcial para exibir um look da parceria de Gaultier com a La Perla e o desfile terminou ao som de violinistas. É a cara de Paris, não?

Valentino: Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli vivem dizendo que estão atrás de uma nova e jovem cliente para a grife. É bom mesmo eles encontrarem logo ela, pois as antigas já devem ter desistido há muito tempo… Começando com mini vestidos do tipo bailarina, a coleção evocava os anos 60. Transparências e laços foram onipresentes e o preto dividiu espaço com branco, rosa pálido, dourado e verde menta, nos longos mais fluidos do final.

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Alta-Costura Outono 2010: Givenchy, Armani Privé e Chanel

julho 6, 2010 by Mirela Lacerda  
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Givenchy: quando se descobre que alguns vestidos desta coleção levaram 1600 horas para serem feitos, é impossível não parar para refletir sobre o sentido da alta-costura. Riccardo Tisci ainda foi mais fundo no conceito ao optar por uma apresentação intimista no lugar do desfile. As 10 modelos estavam divididas em salões de um apartamento na Place Vendôme em vestidos e calças que homenageavam Frida Kahlo sob a ótica de 3 pilares: religião, sexualidade e dor (representada pelo esqueleto humano, que apareceu nos bordados de cristais e pérolas). Branco, dourado e marrom eram as únicas cores em peças de renda extremamente trabalhadas, detalhes de plumas, tules e zíperes.

Giorgio Armani Privé: a cor preferida do estilista – bege – estava onipresente nos looks “executiva chique”, de calças + blazers, nos tailleurs de saias nos joelhos, nos vestidos e até nos longos geométricos. Detalhes de drapeados, grandes botões e broches, assim como casacos longos, clutches e sapatos boneca foram os outros itens de uma coleção impecável.

Chanel: Coco era do signo de Leão. Karl Lagerfeld pode ter tido pensamentos astrológicos, ter olhado pra savana africana ou se inspirado na metáfora do rei da selva. O fato é que a passarela tinha um enorme leão como cenário! O desfile foi um dos mais sóbrios da grife, bem como o mood da estação pede. O clássico tailleur ganhou novas proporções, com jaquetas mais curtas, de mangas ¾ e fofas, e saias abaixo do joelho. O tweed dominou a primeira parte, em cores sóbrias (preto, vinho e bege). Já na segunda, apareceram os belíssimos bordados, do tipo tapeçaria, flores aplicadas, transparências e muitos bordados, além de vermelho, azul e tecidos como cetim e seda. Os acessórios não podiam ser mais perfeitos: botas de canos médios, acompanhando as decorações das roupas e muitas pulseiras douradas. Lagerfeld é mesmo um leão que ruge – e ainda usa máscara!

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Alta-Costura Outono 2010: Dior e Martin Margiela

julho 5, 2010 by Mirela Lacerda  
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Christian Dior: as formas das flores, uma das grandes inspirações de Mr. Dior, ganharam uma nova leitura de John Galliano. A famosa linha tulipa parece ter sido o ponto de partida para um desfile repleto de peças volumosas, com cintura marcada, saias amplas e ombros destacados, cuja mistura de cores era impecável. Tons vibrantes de rosa, amarelo, roxo, laranja, vermelho, aliados ao preto em alguns looks ou até em degradês exalavam feminilidade e sofisticação, do jeito que só Galliano sabe fazer.

Maison Martin Margiela: o velho oeste, com botas e jaquetas em tons de bege ao marrom apareceu nas peças mencionadas e no belo trabalho de textura, com couro e peles de animais, num interessante patchwork. A calça skinny foi a base de todos os looks, que ainda incluiu uma blusa de tela e jaqueta em tiras.

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